Pirataria estável

Maio 16, 2008 by rchia

Depois de três anos consecutivos em queda, a pirataria de software na China ficou estável, de 2006 para 2007, segundo estudo divulgado pela Business Software Alliance (BSA) e pela consultoria IDC. De acordo com o levantamento, 82% dos programas usados no país no ano passado eram piratas, o que, nos cálculos peculiares da BSA, representou prejuízo de US$ 6,6 bilhões. No Brasil, o índice caiu de 60% para 59%, com perdas de US$ 1,6 bilhão. A primeira posição, com 93%, coube à Armênia. Confira os dados aqui.

Enquanto isso, em Taiwan

Abril 25, 2008 by rchia

Da Reuters, via Estadão.com.br:

XANGAI - Taiwan vai pressionar a China para ter vôos diretos entre as duas regiões e também permissão para que mais turistas chineses visitem a ilha assim que o presidente eleito Ma Ying-jeou assuma o poder no mês que vem, disse uma importante autoridade taiwanesa na quinta-feira.

Chiang Pin-Kung, nomeado chefe da Fundação de Câmbio da ilha, órgão quase oficial que lida com as negociações com a China, disse a um grupo de homens de negócios chineses que tais planos seriam uma forma de reanimar a economia de Taiwan.

“Acredito que isso daria um grande estímulo ao nosso consumo, que está estagnado há muito tempo”, disse Chiang, que está em Xangai para agradecer a executivos taiwaneses beaseados na China por terem votado em Ma, que apóia laços econômicos mais fortes com o país.

Esta é a primeira visita de uma autoridade taiwanesa à capital comercial da China desde que Ma, do Partido Nacionalista, foi eleito no mês passado.

A China reivindica a posse da ilha independente desde que forças nacionalistas derrotadas fugiram para lá, ao fim da guerra civil em 1949. O país promete recuperar Taiwan - se necessário, com o uso da força.

Vôos diretos entre Taiwan e China são proibidos por razões de segurança, exceto durante a alta temporada, o que obriga as pessoas a fazer paradas temporárias em Hong Kong ou Macau.

Os turistas chineses raramente vão a Taiwan devido ao medo de brechas de segurança e de ter de permanecer na ilha por mais tempo que o necessário.

China pode barrar a Microhoo!

Março 29, 2008 by rchia

Desde fevereiro, circulam rumores de que a empresa chinesa Alibaba poderia tentar interferir na tentativa de aquisição da Yahoo! pela Microsoft. O problema é que, ao comprar 39% do capital da Alibaba em 2005 (por US$ 1 bilhão), a Yahoo! também lhe deu o direito de participar de decisões sobre a transferência dessas ações para outras companhias. Na edição da última sexta-feira, o New York Times aponta para um agravante: entrará em vigor, no dia 1º de agosto, uma lei com intuito de tornar mais rígidas as regras antitruste na China. E tudo que é antitruste cheira a dor de cabeça para a Microsoft. Uma possível saída é a recompra da participação da Yahoo! - e a posterior revenda dessa fatia para a Google.

. China Law Could Impede Could Impede Microsoft Deal for Yahoo (New York Times, em inglês)

A questão do Tibete

Março 17, 2008 by rchia

A BBC publicou um interessante resumo, em forma de perguntas e respostas, sobre a situação no Tibete. Para quem não sabe, uma série de protestos começaram em Lhasa, capital da região, no último dia 10, e culminaram com um grande confronto, no dia 14. O governo chinês admite a morte de 16 manifestantes. Exilados tibetanos, porém, falam em pelo menos 80. A situação provocou protestos no mundo inteiro e resultou no bloqueio por parte da China de sites como o YouTube.

Uma palhinha do material da BBC:

Por que os protestos estão ocorrendo?

Essa é uma questão histórica. A China diz que o Tibete faz parte de seu território desde meados do século 13 e deverá ficar sob o comando de Pequim.

Muitos tibetanos, no entanto, têm uma outra visão da história. Eles afirmam que a região do Himalaia ficou independente durante vários séculos e que o domínio chinês nem sempre foi uma constante.

Entre 1911 e 1950, por exemplo, o Tibete manteve o status de país independente, até que Mao Tsé-tung comandou a Revolução Chinesa e chegou ao poder no país, em 1949.

Em 1963, ganhou status de Região Autônoma, e hoje conta com um governo apoiado pela China.

Em 1989, a causa da independência do Tibete ficou conhecida no Ocidente após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial.

Muitos tibetanos querem a independência de volta, e daí os protestos.

O que detonou os últimos protestos?

As manifestações começaram no dia 10 de março, exatamente 49 anos depois que os tibetanos encenaram um levante contra o poder chinês.

Houve demonstrações em vários países e monges do monastério de Drepung, nas cercanias da capital Lhasa, também aderiram ao movimento. Os protestos logo ganharam a adesão dos tibetanos.

Fatores econômicos também desempenham um papel importante. Muitos tibetanos dizem que um número crescente de imigrantes chineses da etnia majoritária han chegam à região e conseguem os melhores empregos.

Eles acreditam estar excluídos dos benefícios dos avanços econômicos desfrutados por outras províncias costeiras da China e dizem sofrer com os efeitos da crescente inflação no país.

O dois lados serão capazes de resolver as diferenças?

O governo chinês mantém pouco diálogo com o governo tibetano no exílio, com base na Índia. As negociações nunca avançaram e provavelmente não devem avançar no futuro – o abismo entre as duas partes é imenso.

A China diz que os tibetanos no exílio, liderados pelo Dalai Lama, só estão interessados em separar o Tibete da terra mãe. O Dalai Lama diz querer nada mais do que a autonomia da região.

Maratona de máscara

Março 8, 2008 by rchia

A prova da maratona nas Olimpíadas de Pequim pode ter um visual inusitado. Os competidores, entre os quais o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze em Atenas (2004), cogitam usar máscara para se proteger da poluição.

Diz Vanderlei na Folha de S. Paulo de hoje:”"Se for recomendado para a delegação, eu usarei. Mas acredito que as autoridades chinesas vão melhorar o ar até os Jogos.” Britânicos, americanos e alemães também estariam avaliando a opção.

Bolsas para brasileiros (2008-2009)

Fevereiro 27, 2008 by rchia

O governo chinês lançou nova edição do programa de bolsa de estudos para brasileiros. São seis bolsas integrais para pós-graduação ou especialização e cinco parciais para aprendizado ou aperfeiçoamento do chinês. As inscrições vão até 31 de março. Mais informações aqui e aqui.

iPhone fantasmas na China

Fevereiro 16, 2008 by rchia

A Apple vendeu 3,7 milhões de iPhones em 2007, nenhum deles na China, mas mesmo assim o país tem 400 mil unidades do aparelho em funcionamento, segundo a In-Stat. A explicação é uma cadeia de fornecimento que funciona à margem das vias legais. Oficialmente, a Apple só vende o iPhone nos EUA, Reino Unido, França e Alemanha, mesmo assim bloqueado. Na prática, porém, graças ao mercado negro e a pessoas e empresas especializadas em desbloqueio de celulares, estima-se que existam 1 milhão de iPhones funcionando livremente em dezenas de países.

. China Mobile running 4,000 unblocked iPhones (News.com, em inglês)

. Inside the iPhone Gray Market (BusinessWeek, em inglês)

Crime da USP em filme

Fevereiro 16, 2008 by rchia

Do jornal O Globo:

Chineses que vivem no Brasil fazem filme sobre trágica morte de estudante em piscina da USP
Márcia Abos

SÃO PAULO - A trágica história do estudante Edison Hsueh, que aos 22 anos morreu afogado durante um trote na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), vai virar filme. Trata-se do primeiro projeto cinematográfico a ser produzido por chineses do Brasil, com um olho no mundo, pois será falado em mandarim e em português. A idéia é também mostrar como vivem os cerca de 200 mil imigrantes que cruzaram o oceano para morar aqui. Os atores, que em sua maioria devem falar os dois idiomas, estão sendo recrutados por meio de anúncios publicados num jornal que circula entre a colônia.

O idealizador do projeto - e roteirista - é o jornalista chinês Yuan Yiping, que vive há 15 anos em São Paulo. Ele também é editor-chefe de um jornal publicado em mandarim voltado aos imigrantes e seus descendentes. O roteiro do filme será baseado num dos mais tristes episódio vividos pela colônia chinesa em São Paulo.

Edison Hsueh foi vítima de um trote brutal de seus colegas veteranos. O jovem chinês, que não sabia nadar, foi empurrado na piscina da faculdade. Morreu afogado na tarde de 22 de fevereiro de 1999. Pouco mais de sete anos após a morte de Edison, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) trancou a ação penal contra os réus. Ninguém foi punido e o caso foi encerrado.

- Queremos mostrar como vivem os chineses no Brasil, especialmente os jovens, por meio da história de Edison - conta Yuan.

A trágica história do estudante revoltou a pacata e discreta comunidade chinesa que vive no Brasil, diz Fernando Ou, presidente da Associação Cultural Chinesa do Brasil e diretor de elenco do filme.

- Esperávamos que fossem descobertos os assassinos e que eles fossem punidos conforme a lei, o que não aconteceu.

Mas o filme não quer apenas enfatizar a revolta causada pela morte de Edison. Quer também mostrar como os chineses encontram seu lugar ao sol no Brasil, por meio de seus méritos e esforços, assim como o jovem estudante o fez, ingressando em um dos mais disputados vestibulares do país, com uma perspectiva de ter uma brilhante carreira.

- Queremos mostrar o que mudou depois da morte de Edison, com a adoção do trote solidário por muitas universidades - completou Yuan.

A idéia também é descolar dos chineses que vivem aqui a imagem de contrabandistas e camelôs. Muita gente associa os chineses à imagem de Law Kin Chong, chinês naturalizado brasileiro, que é apontado pela polícia como um dos maiores contrabandistas do país.

O elenco do filme ainda não está completo. O roteirista, junto com o diretor, Tony Lee, cineasta radicado no Brasil há 7 anos, formado pela Academia de Cinema de Pequim, estão em busca do protagonista.

A própria comunidade chinesa tem se mobilizado para financiar o filme, que também pleiteia patrocínio de empresas brasileiras que têm negócios com a China.

Ano do rato

Fevereiro 7, 2008 by rchia

O ano novo chinês chegou com muita festa e bastante confusão. No relato da Reuters:

Fogos de artifício anunciaram na quinta-feira o início do Ano do Rato, mas milhões de chineses passaram o feriado com frio, enquanto eletricistas tentavam restabelecer o fornecimento energético, afetado pelo pior inverno em um século.

Os líderes do país passaram o Ano Novo Lunar em algumas das regiões mais atingidas no centro-sul da China, tentando dar consolo aos moradores e ânimo às equipes de auxílio.

A festa, porém, continua animada por duas semanas, comemorando o ano 4705 ou “ano do rato”. Quem nasce no ano do rato costuma ser inteligente, engenhoso, perspicaz, ambicioso, determinado, charmoso, persuasivo… Leia mais aqui (em inglês).

No Brasil, a principal festa aconteceu mais cedo, no dia 27 de janeiro, para evitar a coincidência com o Carnaval. A região da Liberdade, em São Paulo, foi mais uma vez palco de cerimônia com dragão; apresentações de kung fu, música e dança; e, claro, farra de comidas típicas. Xin nian kaui le!

Outros do ArquivoChina sobre o ano novo chinês:

. Feliz Ano Novo Chinês - Algumas curiosidades

Carta da China

Janeiro 7, 2008 by rchia

O Conselho Empresarial Brasil-China publica mensalmente um excelente boletim sobre economia e comércio da China (e com a China). O impresso é enviado apenas a associados e indicados, mas a versão em PDF pode ser baixada aqui.

Segurança hi-tech causa polêmica

Janeiro 2, 2008 by rchia

Empresas americanas estão lucrando alto com os preparativos de segurança para os Jogos Olímpicos de Pequim, este ano, e para a World Expo (Xangai) e os Jogos Asiáticos (Cantão), em 2010. O New York Times informa que gigantes como Honeywell, General Electric, United Technologies e IBM trabalham na instalação de sistemas sofisticados de gravação e análise de vídeo que serão usados pelas autoridades no controle de locais públicos. O Ministério de Segurança Pública chinês prevê a instalação de até 300 mil câmeras nas maiores cidades.

A transferência de tecnologia de monitoramento causa polêmica. Nos Estados Unidos. Críticos citam uma lei que proíbe o fornecimento de “instrumentos ou equipamentos de controle ou detecção de crimes” à China, mas o Departamento de Comércio e as empresas argumentam que os sistemas servem para controle de invasões, tráfego e movimento, com aplicação industrial e civil.

. China Finds American Allies for Security (New York Times, em inglês)

Vontade de denunciar

Dezembro 19, 2007 by rchia

A corrupção no serviço público é um dos grandes problemas da China, mas, aparentemente, a população do país clama por mudanças. Agências de notícias divulgaram, esta semana, que o recém-criado site do Escritório Nacional para Prevenção da Corrupção não suportou o número de visitantes e saiu do ar na última terça-feira. Segundo a agência Xinhua, até as 16h desta quarta-feira (horário local), havia 22 páginas de comentários no livro de visitas do site. Alguns usuários queriam fazer denúncias, enquanto outros pediam maior rigor no combate à corrupção. No ano passado, 90 mil funcionários públicos receberam punições na China. O número, no entanto, representa apenas 0,14% dos membros do Partido Comunista.

. China’s new anti-corruption website breakdown as masses log on (Xinhua, em inglês)

Um pouco de história

Dezembro 17, 2007 by rchia

Do jornal O Globo:

Amnésia pragmática faz China e Japão tentarem não lembrar Massacre de Nanquim
Gilberto Scofield Jr.

Quatro décadas de Guerra Fria e a distância entre a Europa — o palco de maior destaque da Segunda Guerra Mundial — e a Ásia podem ter conseguido afastar das populações dos países ocidentais os relatos e as imagens das atrocidades cometidas pelo Exército Imperial Japonês em seu projeto de expansão colonialista da Ásia, em especial o avanço lento e sangrento de 14 anos sobre a China (1931 a 1945).

Prova disso é que um dos momentos mais bárbaros da invasão completa 70 anos em 2007 ignorado por praticamente todo o mundo. Em 13 de dezembro de 1937, os japoneses entraram na antiga capital chinesa de Nanquim e, nos três meses que se seguiram, assassinaram civis (mulheres e crianças, inclusive) e soldados que se entregaram, numa proporção que varia de mais de 200 mil pessoas — segundo o veredito do Tribunal de Guerra de Tóquio, em 1948 — a mais de 300 mil, de acordo com pesquisas de historiadores chineses e americanos.

É o chamado “Estupro de Nanquim”, episódio controverso até hoje pela incapacidade japonesa de admitir o fato nestas proporções. Este ano, no entanto, documentaristas americanos, canadenses e chineses estão dispostos a não deixar a data redonda passar em branco — ainda que o governo da China não queira fazer estardalhaço sobre uma ferida ainda não cicatrizada entre japoneses e chineses, num momento em que os dois países tentam reatar sua esgarçada relação.

Esta semana estreou nos cinemas americanos o documentário “Nanking”, dirigido e roteirizado por Bill Guttentag e Dan Sturman, ganhador do prêmio de edição do Festival de Sundance deste ano. O filme, de 90 minutos, mostra como um grupo de estrangeiros que vivia em Nanquim na época da invasão conseguiu criar uma zona neutra de segurança que, a princípio, seria usada como abrigo de expatriados, mas que acabou funcionando como a única salvação (espécie de lista de Schindler asiática) para cerca de 250 mil chineses da região.

Alemão nazista abrigou chineses

Em “Nanking”, cartas de testemunhas do episódio são interpretadas por atores como Woody Harrelson, Mariel Hemingway, Stephen Dorff e Rosalind Chao, entre outros, além de serem exibidos depoimentos de sobreviventes da tragédia. O filme surgiu quando o então vice-presidente da AOL Ted Leonsis leu, em 2004, o obituário da historiadora Iris Chang, autora do livro mais popular sobre o episódio escrito até hoje: “O estupro de Nanquim: o holocausto esquecido da 2ª Guerra Mundial”.

— Há uma questão política e cultural por trás da ignorância dos países ocidentais sobre os horrores da guerra na Ásia — disse o diretor Dan Sturman. — A produção histórica e cultural na América e na Europa naturalmente se focou na guerra entre os dois continentes.

Nas palavras de Bill Guttentag, “é um história que comove qualquer audiência e que não pode ser esquecida, exatamente como o holocausto de judeus”.

Curiosamente, a figura mais importante da zona neutra foi um alemão nazista, John Rabe, então representante da empresa alemã Siemens na China. Ele usou sua casa como abrigo para mais de 650 refugiados chineses e liderou o grupo de 15 estrangeiros em Nanquim. Usando de seus contatos em Berlim, apelando para a aliança entre a Alemanha e o Japão e até pendurando no teto de sua casa uma enorme suástica pintada em tecido, Rabe conseguiu reduzir os assaltos dos soldados japoneses à zona neutra em busca de chineses refugiados e mulheres para serem usadas como escravas sexuais.

A Universidade de Nanquim iniciou ano passado as obras de reforma da casa de Rabe, transformada hoje numa espécie de memorial da resistência aos japoneses. O alemão escreveu ainda um diário das atrocidades que viu pelas ruas de Nanquim, mas o livro só foi publicado em 1997.

— A Guerra Fria que se seguiu à Segunda Guerra, além da orientação do governo comunista de superar Taiwan no reconhecimento mundial, inclusive com o desejo de receber apoio e investimento de um Japão em reconstrução na década de 50, enfraqueceram os esforços chineses para mostrar ao mundo o que ocorreu aqui — contou Rong Weimu, diretor do Instituto de História Moderna da Academia Chinesa de Ciências Sociais e editor-executivo do Jornal de Estudos sobre a Resistência da China na Guerra contra a Japão. — Na verdade, os próprios americanos só passaram a conhecer a história após a publicação, em 1997, do livro de Iris Chang, que virou best-seller.

De fato. E não foi por outro motivo que a produtora canadense Reel to Reel, em parceria com a Associação para o Conhecimento e a Preservação da História da Segunda Guerra na Ásia, lançou no dia 12 de novembro, em Toronto, o misto de documentário e drama “Iris Chang: o estupro de Nanquim”, que conta a história da pesquisadora sino-americana.

Filha de pais chineses que fugiram da China para os EUA após anos de guerra e revolução, Iris decidiu pesquisar a história do massacre justamente pela falta total de informações sobre o episódio, mesmo em clássicos como “Memórias da Segunda Guerra Mundial” (1959), do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, ou “A Segunda Guerra Mundial” (1975), do historiador Henri Michel. Sofrendo de problemas depressivos que, segundo o marido, Brett Douglas, pioraram após as pesquisas sobre o massacre, Iris Chang suicidou-se com um tiro em 2004.

O governo chinês responde errático ao aniversário do massacre. A poderosa Administração Estatal de Rádio, Filme e TV, que controla tudo o que os chineses vêem e ouvem no país, ainda não decidiu se o filme sobre Iris Chang será exibido nos cinemas chineses, mas autorizou sua exibição na reabertura do Salão Memorial das Vítimas do Massacre de Nanquim, quinta-feira passada, 13 de dezembro.

O documentário americano “Nanking” passou em julho em alguns poucos cinemas pelo país e foi logo retirado de exibição. Diferentemente do que ocorre com os blockbusters americanos, só agora, no fim do ano, o filme pode ser encontrado em cópias piratas nas lojas de DVDs.

— No dia 13, a rede estatal CCTV mostrou um documentário feito por seus próprios diretores sobre Nanquim — disse Rong Weimu. — E uma versão do livro de Iris Chang em japonês será publicada este ano no país pela primeira vez.

É difícil de acreditar nesta previsão. Guttentag e Struman afirmam que tiveram vários problemas na produção de “Nanking” no Japão:

— Dois produtores pediram demissão por se sentirem pressionados — disse Sturman. — Não há previsão de exibirmos o filme por lá.

Reação japonesa é ainda de negação

Até agora, a reação japonesa ao massacre é a da negação pura e simples, o que só faz irritar não apenas os chineses, mas todos os outros países asiáticos invadidos por suas forças imperiais. Em junho passado, por exemplo, 100 políticos do Partido Liberal Democrático (PLD), que hoje governa o Japão, afirmaram que, após consultas a documentos do governo da época da Segunda Guerra, chegaram à conclusão que “apenas” 20 mil pessoas morreram na invasão de Nanquim, a maioria soldados chineses que resistiram ao avanço das tropas japonesas.

— Chegamos à conclusão que as mortes em Nanquim foram mais ou menos as mesmas de uma batalha importante em qualquer enfrentamento normal naquela época — disse Nariaki Nakayama, chefe do grupo de parlamentares do PLD, que justificou o estudo por conta dos 70 anos do massacre de Nanquim “e da necessidade de se botar os fatos sobre perspectivas reais”. — Não queremos alimentar uma polêmica, mas apenas alcançar justiça.

Para justificar sua tese — alheia aos números do Tribunal de Guerra de Tóquio e ao fato de que o exército nacionalista chinês recuou e deixou Nanquim totalmente desprotegida —, Nariaki apresentou um desesperado documento, submetido à Liga das Nações pelo governo nacionalista chinês em 1938, pedindo a condenação do Japão pela morte de 20 mil no ataque à capital. O conciliador premiê japonês Yasuo Fukuda não comentou o assunto.

— Estamos absolutamente certos de que não houve massacre em Nanquim — afirmou outro parlamentar do PLD, Toru Toida.

Notícias em inglês

Dezembro 14, 2007 by rchia

Para quem quer acompanhar notícias da China e, como eu, não é capaz de ler em chinês, uma boa dica é o site do jornal em língua inglesa China Daily. Tive acesso, recentemente, a uma edição impressa e fiquei muito bem impressionado com a qualidade. Segundo um editor do jornal, cerca de 800 pessoas trabalham na empresa, controlada pelo governo chinês. A circulação diária em papel é de 200 mil exemplares.

Comércio com Taiwan

Novembro 22, 2007 by rchia

O Escritório Comercial em Taipé, representação oficial do Brasil em Taiwan, reformulou seu site, ampliando o conteúdo sobre comércio e economia.

Mudar sem mudar

Outubro 15, 2007 by rchia

Do site do Estadão:

Líder chinês reconhece problemas, mas aponta continuidade
José Eduardo Barella

PEQUIM - Em seu discurso de abertura do 17.º Congresso do Partido Comunista chinês, o presidente Hu Jintao reconheceu a necessidade de combater a corrupção e a burocracia na administração do país. “Apesar de nossas conquistas, precisamos estar conscientes de que ainda não satisfazemos a expectativa do povo”, afirmou, citando “órgãos governamentais fracos, burocracia excessiva, extravagância, desperdício e corrupção de um número reduzido de quadros do partido”.

Nos últimos anos, 8.310 filiados ao PC foram punidos por aceitar propina, embora o número de envolvidos em casos de corrupção seja muito maior.

As declarações de Hu, feitas nesta segunda-feira, 15, no Grande Salão do Povo, em Pequim, serviram para confirmar o que há muito já se sabia: a China prosseguirá nos próximos cinco anos apostando no modelo que reúne desenvolvimento econômico e centralização política nas mãos da liderança do PC. Foi com essa fórmula que o país duplicou seu Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro anos, período no qual teve um crescimento médio de 10% - o dobro da média mundial.

“Vamos continuar trabalhando para quadruplicar a renda per capita nos próximos 13 anos e completar a transição para uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”, disse o presidente chinês, exibindo com orgulho várias estatísticas do fantástico avanço econômico do país.

Milionário chinês no Brasil

Setembro 26, 2007 by rchia

Do Globo de hoje:

Jeffrey Wong, um dos homens mais ricos da China, com fortuna estimada em mais de 1 bilhão de dólares, chega ao Brasil este fim de semana. Há oito anos compra e restaura, por hobby, imóveis e objetos antigos para preservar o patrimônio histórico de Shangai. Ele vem apresentar o documentário biográfico “Mr. Wong”, dirigido por Christian Schidlowski, na Mostra de Cinema Imagem dos Povos, em Ouro Preto.

A mostra, que acontece de 28 de setembro a 4 de outubro, tem como característica exibir produções de um país e um estado brasileiro. Os escolhidos deste ano foram China e Pernambuco.

Revista da comunidade

Setembro 20, 2007 by rchia

A história escabrosa da menina de três anos abandonada numa estação ferroviária na Austrália despertou minha curiosidade também por outra razão. O pai da criança era editor de uma revista dirigida à comunidade chinesa da Nova Zelândia. E aqui no Brasil? A impressão que se tem é de escassez de publicações desse tipo. Por coincidência, recentemente, descobri a revista Ponte, em português, que se propõe a ajudar a integrar a comunidade de origem chinesa de Campinas à realidade do ocidente. Vale conferir.