Um pouco de história

Do jornal O Globo:

Amnésia pragmática faz China e Japão tentarem não lembrar Massacre de Nanquim
Gilberto Scofield Jr.

Quatro décadas de Guerra Fria e a distância entre a Europa — o palco de maior destaque da Segunda Guerra Mundial — e a Ásia podem ter conseguido afastar das populações dos países ocidentais os relatos e as imagens das atrocidades cometidas pelo Exército Imperial Japonês em seu projeto de expansão colonialista da Ásia, em especial o avanço lento e sangrento de 14 anos sobre a China (1931 a 1945).

Prova disso é que um dos momentos mais bárbaros da invasão completa 70 anos em 2007 ignorado por praticamente todo o mundo. Em 13 de dezembro de 1937, os japoneses entraram na antiga capital chinesa de Nanquim e, nos três meses que se seguiram, assassinaram civis (mulheres e crianças, inclusive) e soldados que se entregaram, numa proporção que varia de mais de 200 mil pessoas — segundo o veredito do Tribunal de Guerra de Tóquio, em 1948 — a mais de 300 mil, de acordo com pesquisas de historiadores chineses e americanos.

É o chamado “Estupro de Nanquim”, episódio controverso até hoje pela incapacidade japonesa de admitir o fato nestas proporções. Este ano, no entanto, documentaristas americanos, canadenses e chineses estão dispostos a não deixar a data redonda passar em branco — ainda que o governo da China não queira fazer estardalhaço sobre uma ferida ainda não cicatrizada entre japoneses e chineses, num momento em que os dois países tentam reatar sua esgarçada relação.

Esta semana estreou nos cinemas americanos o documentário “Nanking”, dirigido e roteirizado por Bill Guttentag e Dan Sturman, ganhador do prêmio de edição do Festival de Sundance deste ano. O filme, de 90 minutos, mostra como um grupo de estrangeiros que vivia em Nanquim na época da invasão conseguiu criar uma zona neutra de segurança que, a princípio, seria usada como abrigo de expatriados, mas que acabou funcionando como a única salvação (espécie de lista de Schindler asiática) para cerca de 250 mil chineses da região.

Alemão nazista abrigou chineses

Em “Nanking”, cartas de testemunhas do episódio são interpretadas por atores como Woody Harrelson, Mariel Hemingway, Stephen Dorff e Rosalind Chao, entre outros, além de serem exibidos depoimentos de sobreviventes da tragédia. O filme surgiu quando o então vice-presidente da AOL Ted Leonsis leu, em 2004, o obituário da historiadora Iris Chang, autora do livro mais popular sobre o episódio escrito até hoje: “O estupro de Nanquim: o holocausto esquecido da 2ª Guerra Mundial”.

— Há uma questão política e cultural por trás da ignorância dos países ocidentais sobre os horrores da guerra na Ásia — disse o diretor Dan Sturman. — A produção histórica e cultural na América e na Europa naturalmente se focou na guerra entre os dois continentes.

Nas palavras de Bill Guttentag, “é um história que comove qualquer audiência e que não pode ser esquecida, exatamente como o holocausto de judeus”.

Curiosamente, a figura mais importante da zona neutra foi um alemão nazista, John Rabe, então representante da empresa alemã Siemens na China. Ele usou sua casa como abrigo para mais de 650 refugiados chineses e liderou o grupo de 15 estrangeiros em Nanquim. Usando de seus contatos em Berlim, apelando para a aliança entre a Alemanha e o Japão e até pendurando no teto de sua casa uma enorme suástica pintada em tecido, Rabe conseguiu reduzir os assaltos dos soldados japoneses à zona neutra em busca de chineses refugiados e mulheres para serem usadas como escravas sexuais.

A Universidade de Nanquim iniciou ano passado as obras de reforma da casa de Rabe, transformada hoje numa espécie de memorial da resistência aos japoneses. O alemão escreveu ainda um diário das atrocidades que viu pelas ruas de Nanquim, mas o livro só foi publicado em 1997.

— A Guerra Fria que se seguiu à Segunda Guerra, além da orientação do governo comunista de superar Taiwan no reconhecimento mundial, inclusive com o desejo de receber apoio e investimento de um Japão em reconstrução na década de 50, enfraqueceram os esforços chineses para mostrar ao mundo o que ocorreu aqui — contou Rong Weimu, diretor do Instituto de História Moderna da Academia Chinesa de Ciências Sociais e editor-executivo do Jornal de Estudos sobre a Resistência da China na Guerra contra a Japão. — Na verdade, os próprios americanos só passaram a conhecer a história após a publicação, em 1997, do livro de Iris Chang, que virou best-seller.

De fato. E não foi por outro motivo que a produtora canadense Reel to Reel, em parceria com a Associação para o Conhecimento e a Preservação da História da Segunda Guerra na Ásia, lançou no dia 12 de novembro, em Toronto, o misto de documentário e drama “Iris Chang: o estupro de Nanquim”, que conta a história da pesquisadora sino-americana.

Filha de pais chineses que fugiram da China para os EUA após anos de guerra e revolução, Iris decidiu pesquisar a história do massacre justamente pela falta total de informações sobre o episódio, mesmo em clássicos como “Memórias da Segunda Guerra Mundial” (1959), do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, ou “A Segunda Guerra Mundial” (1975), do historiador Henri Michel. Sofrendo de problemas depressivos que, segundo o marido, Brett Douglas, pioraram após as pesquisas sobre o massacre, Iris Chang suicidou-se com um tiro em 2004.

O governo chinês responde errático ao aniversário do massacre. A poderosa Administração Estatal de Rádio, Filme e TV, que controla tudo o que os chineses vêem e ouvem no país, ainda não decidiu se o filme sobre Iris Chang será exibido nos cinemas chineses, mas autorizou sua exibição na reabertura do Salão Memorial das Vítimas do Massacre de Nanquim, quinta-feira passada, 13 de dezembro.

O documentário americano “Nanking” passou em julho em alguns poucos cinemas pelo país e foi logo retirado de exibição. Diferentemente do que ocorre com os blockbusters americanos, só agora, no fim do ano, o filme pode ser encontrado em cópias piratas nas lojas de DVDs.

— No dia 13, a rede estatal CCTV mostrou um documentário feito por seus próprios diretores sobre Nanquim — disse Rong Weimu. — E uma versão do livro de Iris Chang em japonês será publicada este ano no país pela primeira vez.

É difícil de acreditar nesta previsão. Guttentag e Struman afirmam que tiveram vários problemas na produção de “Nanking” no Japão:

— Dois produtores pediram demissão por se sentirem pressionados — disse Sturman. — Não há previsão de exibirmos o filme por lá.

Reação japonesa é ainda de negação

Até agora, a reação japonesa ao massacre é a da negação pura e simples, o que só faz irritar não apenas os chineses, mas todos os outros países asiáticos invadidos por suas forças imperiais. Em junho passado, por exemplo, 100 políticos do Partido Liberal Democrático (PLD), que hoje governa o Japão, afirmaram que, após consultas a documentos do governo da época da Segunda Guerra, chegaram à conclusão que “apenas” 20 mil pessoas morreram na invasão de Nanquim, a maioria soldados chineses que resistiram ao avanço das tropas japonesas.

— Chegamos à conclusão que as mortes em Nanquim foram mais ou menos as mesmas de uma batalha importante em qualquer enfrentamento normal naquela época — disse Nariaki Nakayama, chefe do grupo de parlamentares do PLD, que justificou o estudo por conta dos 70 anos do massacre de Nanquim “e da necessidade de se botar os fatos sobre perspectivas reais”. — Não queremos alimentar uma polêmica, mas apenas alcançar justiça.

Para justificar sua tese — alheia aos números do Tribunal de Guerra de Tóquio e ao fato de que o exército nacionalista chinês recuou e deixou Nanquim totalmente desprotegida —, Nariaki apresentou um desesperado documento, submetido à Liga das Nações pelo governo nacionalista chinês em 1938, pedindo a condenação do Japão pela morte de 20 mil no ataque à capital. O conciliador premiê japonês Yasuo Fukuda não comentou o assunto.

— Estamos absolutamente certos de que não houve massacre em Nanquim — afirmou outro parlamentar do PLD, Toru Toida.

12 opiniões sobre “Um pouco de história”

  1. Chineses merecem credibilidade? Chinês falsifica tudo!

    As agências chinesas são corruptas até o último fio de cabelo, portanto não merecem credibilidade!

    A minha opinião:

    Da abertura dos processos de Tóquio em 1946 até abril de 1952, quando o tratado de paz foi assinado em San Francisco e o soberania do Japão foi restaurado, os cidadãos japoneses, em uma nação sob ocupação, eram incapazes de protestarem a fabricação da história perpetuado no tribunal. Privados da liberdade de discurso, era impossível protestar contra os crimes de guerra inexistentes que caíram em cima deles. Durante a ocupação, que durou quase sete anos, Os responsáveis pela divulgação das atrocidades cometidas pelas forças armadas japonesas em Nanquim, produtos de imaginações dos seus inventores, eram persistente e transmitiam repetidamente para o mundo todo. Esta propaganda era espetacularmente bem sucedido por causa do preconceito.

    O primeiro estudo detalhado das 143 fotografias oferecidas como evidência “do Massacre de Nanquim.” Após verificar aproximadamente 30.000 fotografias (antes e depois da captação japonesa de Nanquim), foi descoberto que cada uma das fotografias do massacre publicadas em 1937-8 são Falsificações. Ver Nankin jiken [que analisa “evidências fotográficas” do Massacre de Naquim].

    E o lado japonês?

    Ainda hoje, passados 60 anos da explosão da primeira bomba atômica, o número macabro de vítimas continua sendo contabilizado, já ultrapassando 250 mil mortos. Hipocritamente, o governo estadunidense não reconheceu haver danos morais e nega qualquer tipo de pagamento de indenizações às vítimas.

    O governo de Getúlio Vargas perseguiu, prendeu, torturou e confinou milhares de japoneses em campos de concentração criados em oito Estados brasileiros. O governo promoveu verdadeiras caçadas, algumas vezes com tortura em praça pública, apreensão de objetos e vingança pessoal. A maioria dessas vitimas eram inocentes, sem nenhuma relação com grupos extremistas. Quando a guerra acabou, os arquivos oficiais foram lacrados e esquecidos, o caso foi abafado.

  2. A derrota do Japao na Segunda Guerra Mundial contribuiu para ascensão do comunismo na China, os ianques ajudaram a China se tornar comunista.

  3. A chineizinha Iris Chang é uma puta depravada!!, conseguiu manchar a imagem da China para sempre! Tadinhos! A China foi estuprada!!! huahuahuahua!!!!

    Morte aos fascistas Chineses e ianques!!!

  4. tenho certeza que esses estrupos numca acomteceram…
    a mesma coisa éo hoocausto de judeus na alemanha nazista ..
    uma bobagem..isso numca acomteceu..viva hitler..viva mussoline…
    viva o nazismo…

  5. Em alusão ao NAZI-PALHAÇO ”douglas”, que reitera negar (será que ele sabe o que é reiterar???), ah.ah,ah…as atrocidades cometidas na guerra e pelos nazistas viados, e outras descritas na história…tem que ser muito ignorante mesmo…Se ele ”baixar” aqui na comunidade, vai chupar pau de todo o mundo, este otário…vê se ele tem coragem de explicitar o email dele…OTÁRIO!!!

  6. õ adriano e douglas nazifacistas,se eu os encontrar pode ter certeza quem vai ser estuprado serão vocês.E,é devido a tipos de trombadinha, estilo douglas e a vaginosa do adriano que o brasil não cresce,são eles que votam em fhc e jose serra,vão tomar no cu

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s