Márcia Schmaltz, de 34 anos, é professora, tradutora e intérprete especializada em chinês. Ainda criança, morou seis anos em Taiwan, em conseqüência do casamento da mãe com um taiwanês. Dessa época, diz lembrar-se da convivência familar e da organização da sociedade, muito diferente da brasileira. De volta ao Brasil, acabou graduando-se em Letras, em 2001. Logo se tornou especialista em chinês. Confira abaixo o breve bate-papo, por e-mail, com a professora gaúcha:
Quando e como decidiu se tornar professora de chinês e tradutora?
A minha trajetória definiu a minha decisão. Desde pequena sou apaixonada pela literatura, mas, até um determinado período da minha vida, não a via como uma paixão que poderia se tornar um meio de subsistência. No início queria ser jornalista e produtora de eventos, mas tudo que eu fazia, inclusive o ingresso ao curso de Letras, me levou a me tornar professora e tradutora de chinês; principalmente pela falta de pessoas com a devida qualificação. Em 2000, quando a maioria dos descendentes se voltava para fazer negócios com a China, centralizei os meus esforços no aperfeiçoamento lingüístico e pedagógico, indo fazer intercâmbio na Universidade Normal de Beijing e depois na Universidade de Língua e Cultura de Beijing.
Quais são as maiores dificuldades no aprendizado do chinês por brasileiros?
A maior dificuldade tange à fonética e à escrita.
Apesar do interesse crescente pela China, ainda há um número relativamente pequeno de cursos e professores de chinês no Brasil. Além disso, a qualidade desses cursos muitas vezes é decepcionante. Como saber quando se está no “caminho certo”?
Primeiro, averiguar a qualificação do professor, seja pela sua formação ou pelo tempo de experiência ou mesmo pedindo referência de seus alunos.
Além do domínio da língua e das qualificações profissionais, que qualidades você considera importantes para um brasileiro ser bem-sucedido na China?
Uma boa rede de relações aqui, na China ou em qualquer lugar é fundamental.
E nas áreas de ensino e tradução, há oportunidades para brasileiros que se disponham a se dedicar ao aprendizado da língua?
Sim, as oportunidades são muitas para aqueles que se aplicarem.
O que mais lhe interessa na produção cultural chinesa? Que filmes, livros e músicas indicaria para os brasileiros?
A literatura é a minha primeira paixão, seguida pelas músicas e filmes. No último período podemos encontrar uma variedade de livros de bom nível no mercado brasileiro. Em história sempre vale a pena ler um livro do Jonathan Spence, Em busca da China moderna, ou China: uma nova história, de John King Fairbank e Merle Goldman. Na área de ficção, foi lançado há pouco 50 fábulas da China fabulosa, com textos organizados e traduzidos por mim e por Sérgio Capparelli, que, além de ampliar o conhecimento sobre a cultura chinesa, é uma viagem literária em si.